segunda-feira, 9 de junho de 2008

MUSICA LOMBROSA?


bem é o que promete o i-doser programa que ``simula´´ através de ondas sonoras os efeitos de determinadas drogas alucinógenas para dar uma conferida visite o blog: http://www.idoser07.blogspot.com/ e viaje sem culpa pois não é contra lei.

domingo, 8 de junho de 2008

EDITAIS FUNCEB 2008


bem a funceb( fundação cultural do estado da bahia) está abrindo editais para projetos na área de cultura. bem, gente como aqui não é um blog institucional, nem recebe para divulgar este trabalho mas como é pagO por todos quem se interessar pode acessar o link aqui ô!!!!! para obter maiores informações: http://www.funceb.ba.gov.br/

quarta-feira, 4 de junho de 2008

EVANDRO GRACELLI

extraido do http://euovo.blogspot.com
tracklist: 2005 Urucum1. Ititubêa2. Hoje descobri3. Mastroianni4. Trevo (& Funk como Le Gusta)5. De volta ao caminho6. Brasileiro7. Iriri8. Pedra du mar9. Grandes momentos do esporte/ Quem vai salvar a mente10. Pasárdaga11. Dormi cayndo12. Urucum13. Meia fina14. Brasileiro (Versão 2) download:http://www.4shared.com/file/42160403/983342c5/2005_Urucum.html

hugo guedes sonzinho massa!!!

extraido do http://euovo.blogspot.com
O disco Música Vegetal chega devagarinho e como um bom mineiro, te conquista aos poucos com canções muito harmoniosas.Hugo Guedes toca violão e é acompanhado por sua banda, Balaio Geral, com Walner Cassita no piano, Lucas Soares na guitarra, Hugo Silva no baixo e Hernany Lisardo na bateria.O disco tem um balanço muito gostoso de ouvir e vale a pena o download. Vamos lá conheçam o som do Hugo Guedes... E as faixas ‘por um triz’, ‘candomblues’ e ‘qualquer dia’ vão estar lá na Rádio Ovo para quem quiser curtir um pouco do som do Hugo Guedes. download: http://www.4shared.com/file/41505564/432847ce/2007_Msica_Vegetal.html

nathalia experiental

extraido do http://euovo.blogspot.com
Hoje em dia existem um variado timbre de cantoras populares, mas são as cantoras que compõem o próprio material que sobressaem às outras. Essas cantoras compositoras ocuparam definitivamente seu espaço na música popular brasileira, como sufragistas na arte de compor e interpretar as próprias canções.Confesso que não conhecia o trabalho de Natalia Mallo, nem mesmo com sua banda o ‘Trash Pour 4’, que já havia visto disponível para download no Musicoteca, mas que eu nunca havia me interessado em baixar.Porém, isso mudou quando entrevistei o Vitinho do Sobrado112 e o Rulian Nociti de Mendonça mandou um e-mail me parabenizando pela entrevista e sugeriu uma entrevista com a Natalia, um dos vocais do ‘Trash Pour 4’.Foi então que o destino bateu à minha porta e com carinho mostrou uma matéria publicada no ‘Correio Braziliense’, sobre a Natalia Mallo. Essa matéria me chamou atenção e foi então que me lembrei do e-mail do Rulian, e do e-mail da Natalia. Sem perder tempo, baixei os discos do ‘Trash Pour 4’ no Musicoteca, e entrei em contato com a Natalia.A Natalia foi bastante receptiva e prometeu participar do questionário e enviar seu disco solo ‘Qualquer Lugar’, recém lançado neste ano. Eu também queria o disco do ‘gatoNegro’, a banda de tango da Natalia. “Te mando o disco sim, me passa o endereço? O ‘gatoNegro’ ainda não tem disco, mas posso te mandar faixas em mp3”.O tango é argentino, e sempre esteve entre minhas audições preferidas, mas sempre fui mais Piazzola do que Carlos Gardel. Também não entendo porque alguns argentinos não consideram o que o Piazzola fez como tango. Aproveitei para perguntar isso para a Natalia, que nasceu na Argentina. “Não acredito que alguém na Argentina diga isso!”. Ela me respondeu quase como uma bronca. Mas voltou ao assunto em seguida. “O que acontece é que o Piazzola revolucionou o gênero, através da fusão com o jazz e até com o rock progressivo, na sonoridade. Naquela época isso fez surgirem muitas criticas, porque havia uma visão muito conservadora do tango. Mas logo foi reconhecido como o gênio que era e essas questões passaram a segundo plano. Eu acho que ele não é tango porque transcendeu o gênero, ele é mais do que tango, é música”. E eu concordo plenamente.Por isso ela criou o projeto ‘gatoNegro’, que se escreve assim mesmo, com Rui Barossi no Contrabaixo, Bruno Serroni no Violoncelo, Cintia Zanco no Violino e Ramiro Murillo no violão e arranjos. “Surgiu de uma vontade minha de voltar um pouco às raizes e ter um projeto em que eu cantasse apenas em espanhol. Sempre gostei muito de tango, e quando encontrei um parceiro como o Ramiro, que tinha o mesmo interesse, a coisa virou realidade. Hoje é um quinteto”. Quanto a receptividade da banda com o público brasileiro Natalia acredita que é maravilhoso que isso ocorra aqui no Brasil. “O tango esta com força total ultimamente. Gerações mais antigas curtem por saudosismo e as novas por curiosidade. É ótimo que aconteça isso no Brasil, país que até pouco tempo atrás era bastante isolado do resto da América Latina”.Natalia Mallo tem 32 anos e nasceu na Argentina, mas mudou-se para o Brasil em 1995. “Me apaixonei pela natureza, a cultura de modo geral e a língua e a música em particular. Foi uma identificação muito forte e senti um impulso irresistível de morar aqui. Vim duas vezes de férias, na segunda viajei por 6 meses pelo Brasil afora, confirmando essa minha paixão. Na terceira fiquei de vez”. E essa brasileira de coração sempre esteve ligada à música, mesmo morando na Argentina. “Começou quando eu tinha 8 anos de idade e ganhei meu primeiro violão. A música esta na minha vida desde muito cedo, venho de uma família muito musical e muito interessada no assunto. Logo depois que ganhei o violão entrei no conservatório e comecei a estudar, violão, piano e canto. De lá pra cá não parei mais, já faz 25 anos! Uau!”.No Brasil, Natalia formou a banda ‘Trash Pour 4’, que faz releituras de canções pop de várias épocas e estilos. Entre as releituras da banda estão versões para ‘Total eclipse of the heart’ eternizada por Bonnie Tyler, ‘Material girl’ e ‘Like a virgin’ da Madona, ‘Billie Jean’ do Michael Jackson e ‘Take on me’ do ‘A-ha’. Mas eles também gravaram versões para ‘Geni e o zeppelin’ do Chico Buarque, ‘Não se vá’ dueto eternizado por Jane & Herondy e pérolas como ‘Quizas, quizas, quizas’. Para um repertório tão eclético, tanto Natalia, quanto Gustavo Ruiz, Dudu Tsuda e Mariá Portugal escolhem as canções “a partir da memória afetiva e também ouvindo sugestões de pessoas próximas e fãs”.Como o repertório prima por pérolas que foram lançadas, em sua maioria, nos anos 80, ficou a dúvida sobre a banda que faria releitura de uma década. Mas Natalia desmente e ainda explica a razão por traz de um nome como ‘Trash Pour 4’. “Na verdade, não significa nada. Veio de um trocadilho com 3 x 4, só que pronunciado em francês. É uma coisa non-sense mesmo, só que como tem trash no nome fica sujeito a interpretações, que às vezes não tem a ver com a proposta da banda (como achar que somos uma banda que toca anos 80). Não é nada disso! Por isso agora simplificamos o nome para ‘TP4’. O próximo disco vai sair assim”.Vendo as fotos dos integrantes a gente percebe um apuro estético como uma preocupação entre todos os integrantes. “A estética não é necessariamente uma preocupação, mas sim uma coisa interessante de ser concebida com clareza. Tanto musicalmente como no visual. Tivemos parcerias com grifes legais de roupa (Armani e UMA), e vamos continuar com essa coerência, mas não somos pessoas fashion”.
E quando eu pergunto sobre trabalhos de gente como Richard Cheese, que faz releituras
lounge para canções pop, Natalia rebate e fala sobre as inspirações da banda. “A gente não acompanha essas pessoas. Alguns a gente ouviu de passagem, mas a inspiração vem mais das nossas influências individuais e da nossa química como grupo. Não nos interessa esse formato fechado de versões. Qualquer hora podemos fazer um disco só de inéditas ou um disco instrumental, qualquer coisa está valendo. Mas respeito esses artistas e gosto bastante de alguns”.Com tantos projetos em andamento, como o ‘TP4’ e o ‘gatoNegro’, Natalia ainda encontra tempo pra ser blogueira e mantém um espaço de culinária sob o pseudônimo de ‘Miss Kitchen’. “Sempre gostei de cozinhar e falar no assunto. Ir no supermercado, escolher ingredientes, fazer jantares, receber amigos. Agora consegui um jeito de falar disso sem ter que ir para a cozinha... (risos). Como sempre gostei de escrever também, juntei a fome com a vontade de comer e fiz um blog”. Pois fome de comer é exatamente o endereço do blogui da Natalia.Mas enfim chegamos ao disco solo, que é realmente o que interessa. Nas palavras da própria Natalia é um disco que prima pela simplicidade, nos arranjos, nas composições e até mesmo nas letras. “Ouçam com carinho!”. Pois eu queria que a Natalia me enviasse o disco, mas podia ser via internet mesmo. Mas ela insistiu em enviar pelo correio. “Se quiser posso mandar faixas, mas acho legal você ter o produto... Com capinha e tudo o mais”.Realmente é um produto muito bem acabado, a capinha toda branca, o encarte e o cd ressaltam a simplicidade dos arranjos etc. Mas fica aquela coisa de que eu ganhei o disco de presente da própria artista. E ainda assim vou colocar na internet, para qualquer um baixar gratuitamente. “Acho que vivemos um período de transição. As coisas estão se reconfigurando. Vamos ver onde isso vai dar. Mas o compartilhamento é um movimento que não tem como parar, e sou a favor”. Pois é Natalia, mas tem os direitos autorais. “As questões de direito autoral fica tudo mais complexo, tem que ter uma analise e uma reavaliação da legislação”.O disco da Natalia me surpreendeu com melodias gostosas de ouvir e letras inspiradas. “Tem parceiros incríveis nesse disco, poetas mesmo, Alice Ruiz, Suely Mesquita, Paulo Leminski, Mathilda Kovak e Vadim Nikitin. Todos são pessoas das letras, muito queridos e talentosos”. Esse disco começou a ser gravado em 2005, mas a agenda do ‘TP4’ atrasou a finalização, deixando para 2008 o lançamento e toda aquela correria para divulgar o disco. “A estratégia consiste num trabalho com a imprensa que venho fazendo através de uma assessoria, e tentando fechar shows em espaços onde cabe. Ta dando certo!”.Para o futuro Natalia têm turnês do disco solo, com o ‘TP4’ e ainda pretende lançar o disco do ‘gatoNegro’. “Apesar da minha agenda estar um pouco confusa, to conseguindo conciliar as coisas. Dia 13 de maio apresentei esse show em Berlim e 13 de junho vai ser a vez de Paris. Entre um e outro, tenho uma turnê na Europa com o ‘TP4’”.Só me resta agora desejar muito boa sorte à Natalia Mallo, que como uma sufragista na caverna iluminista faz parte da síntese de uma espécie inteira. downloads: http://www.4shared.com/file/47408740/2f110b79/Natalia_Mallo.html==-http://www.4shared.com/file/47409170/b80d436d/2008_gatoNegro.html===vhttp://www.4shared.com/file/47409170/b80d436d/2008_gatoNegro.html=== http://www.4shared.com/file/47445089/f8dd9449/2006_Super_Duper.html===http://www.4shared.com/file/47443119/db61aeb/2005_Recycle_Vol_1.html

Amazônia: desgoverno e dominação

extraido do site www.anovademocracia.com.br
.
por: Ana Lúcia Nunes
Marina Silva entregou o cargo de ministra do Meio Ambiente no dia 13 de maio. Lula rapidamente tratou de afirmar que nada mudará na política ambiental do governo. Nada mudará no que se refere à Amazônia. Os planos do imperialismo de dominação podem seguir a todo o vapor.
Além da saída de Marina Silva, com a recente crise de grãos no USA, que acabou se expandindo para o Brasil, ampliou-se o debate sobre a preservação da Amazônia. O que os teóricos, serviçais do imperialismo, afirmavam e a imprensa dos monopólios, como papagaio, repetia era que a "comunidade internacional" estava preocupada, uma vez que uma ampliação da produção de grãos poderia deslocar ainda mais as fronteiras agrícolas para a Amazônia.Nenhum deles falou uma palavra sobre os crimes que a tal "comunidade internacional", apoiada pela "comunidade nacional" de privatistas, políticos eleitoreiros, ONGs e latifundiários cometem diariamente na Amazônia. Na verdade, com suas análises fajutas, só acobertam os planos do imperialismo, com a cumplicidade da gerência petista, de se apoderar da Amazônia.Em AND 42 (Imperialismo e latifúndio devastam Amazônia) voltamos a falar sobre o tema com o intuito de mostrar aos nossos leitores o que está por trás de tanto alarido. Nesta edição, damos continuidade, trazendo a série "Amazônia: desgoverno e dominação", a qual iniciamos publicando uma mesa redonda com o Sociólogo Fausto Arruda, o ex-governador de Rondônia e advogado Jerônimo Santana e o Engenheiro Agrônomo Flávio Garcia.
AND: Hoje quando se fala em Amazônia, logo vem a preocupação com o desmatamento. Como se inicia esse processo?
Fausto: O desmatamento da Amazônia é apenas a continuação de uma ação iniciada pelos portugueses quando ocuparam nosso território há cinco séculos. A devastação da Mata Atlântica, da Floresta de Araucária, da Caatinga e do Cerrado está ligada à sucessão de ciclos econômicos, sempre servindo, em primeiro lugar, aos interesses coloniais e imperialistas, ao latifúndio e ao capitalismo burocrático. Paralelo ao desmatamento das florestas ocorreu o genocídio com os povos indígenas nas áreas ocupadas pelas fazendas de plantação de cana-de-açúcar, de gado, de café, de cacau, etc. A presença do colonialismo inglês e do imperialismo ianque na construção das estradas de ferro e na especulação fundiária deu início ao fenômeno da desterritorialização agravado, hoje, pela compra indiscriminada de terras por bancos e empresas estrangeiras, pelo domínio das ONGs financiadas pelo imperialismo e pelo aluguel de florestas.Jerônimo: Quando o General Castelo Branco toma o poder ele cria a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) e extingue a Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (Spevia). A Sudam começa a financiar gado. Depois no governo Figueiredo disseram que o boi da Sudam estava desmatando muito. Era a ocupação da Amazônia pela pata do boi. Então trocaram o boi pela madeira. É o Governo quem financia o desmatamento da Amazônia. A predação da Amazônia ocorre com a formação de pasto, criação de boi, produção de etanol, construção de grandes represas, como Tucuruí e Xingu. É o governo quem patrocina a destruição da Amazônia. Fausto: Neste processo o Estado brasileiro transferiu renda da nação a um seleto grupo de privilegiados (banqueiros, transnacionais, oligarcas locais e empresários do sudeste) que transformaram os estados da região em verdadeiras capitanias hereditárias, redistribuindo as terras públicas entre seus apaniguados que, por sua vez, criaram verdadeiros feudos nos quais a presença do Estado (burguês-latifundiário serviçal do imperialismo) se manifestava pela ação direta das classes dominantes,de forma não institucionalizada. Aí foram praticados os atos mais vis contra os índios, os nordestinos e os caboclos, tudo sob as "vistas grossas" do estado.Jerônimo: O interesse em manter esta situação é tão grande que eles criaram mais de 30 ministérios e esqueceram-na. Em 1978, eu apresentei um projeto criando o Ministério da Amazônia, com sede na Amazônia, aproveitando o pessoal de lá. O Ministério do Meio Ambiente e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) é todo de São Paulo, ninguém conhece a Amazônia.
AND: A Lei de concessão das Florestas Públicas foi criada em 2006. Em que medida esta lei desprotege a Amazônia?
Fausto: Temos aqui um exemplar da Revista Jurídica Consulex, edição n° 267, de fevereiro de 2008. Nela encontramos um artigo do Coronel Miguel Daladier Barros, no qual ele denuncia a ação do imperialismo através das ONGs com vistas a cercear aos brasileiros a soberania sobre a Amazônia. Entre as várias declarações de representantes do imperialismo, tanto ianque como europeu, que o articulista reproduz, destaco aqui duas. A do Ministro do Meio Ambiente do Reino Unido, David Miliband, que se refere a uma privatização completa da Amazônia, alegadamente, para preservar a floresta como uma proteção contra as emissões de dióxido de carbono que, supostamente, estariam provocando o aquecimento global. Segundo o articulista "a sugestão, feita numa conferência sobre mudanças climáticas em Monterrey, México, no final de setembro de 2006, envolveria a aquisição de grandes áreas da floresta amazônica por cidadãos e grupos privados, de modo a formar uma vasta área protegida cuja administração seria confiada a uma comissão internacional"A outra é uma declaração do Conselho Mundial de Igrejas Cristãs que expediu entre 1991-1992 as seguintes diretrizes aos seus missionários sediados no Brasil: ‘a Amazônia, cuja maior área fica no Brasil, Colômbia e Peru, é considerada por nós como patrimônio da humanidade. A posse dessa imensa área pelos países mencionados é meramente circunstancial’. E ainda: ‘É nosso dever garantir a preservação do território da Amazônia e de seus habitantes aborígines para o desfrute das grandes civilizações européias". Eu vejo nestas duas declarações a síntese do que vem ocorrendo na Amazônia derivada do caráter semicolonial do Estado brasileiro, cujas forças armadas constituem-se em sua coluna vertebral, assegurando a subjugação nacional. Nada em contrário, portanto, pode-se esperar da política do gerenciamento de Luiz Inácio para a Amazônia.Jerônimo: A Amazônia não tem uma lei que a proteja. É colonialismo. Eles dizem que estão preocupados com a Amazônia, mas o entreguismo é tanto que ao invés de criar mecanismos para que ela seja nossa, criaram o arrendamento de florestas. É uma lei de florestas para predar, não é para preservar. Flávio Garcia: Quem esteve à frente do processo de planejamento no Ministério do Meio Ambiente, junto com a Marina Silva, foi o Imazom (Instituto do Homem do Meio Ambiente da Amazônia), que patrocinou o projeto de concessões florestais. Há uns dois meses eles romperam com a Marina, e estão contra o desmatamento, mas ninguém sabe o motivo. Parece que eles descobriram que o MMA estava fazendo um projeto pra vender mesmo a Amazônia, mas ainda é preciso pesquisar isso. A grande questão é que antes eles eram a favor disso.
AND: Essas disputas e mudanças de posicionamentos no que se refere à Amazônia podem ter alguma relação com uma disputa interimperialista?
Flávio: A Holanda é o país que mais pesquisa sobre florestas no mundo. A Holanda, o Japão e a China estão comprando tudo que podem na Amazônia. Então existe um problema sério do capital europeu contra o chinês. A China e a Índia tem quase a metade da população do mundo, mas não têm madeira nem minério. O Japão tem a tecnologia, aí você imagina onde vamos chegar. A mídia ainda não se definiu se, nesse processo de disputa, vai ficar com a China ou com o USA.Fausto: Com certeza os monopólios de comunicação se definirão por quem pagar mais. É provável, também, que cada nação imperialista crie sua área de influência na imprensa brasileira a partir da aquisição de participação acionária nos veículos, como já vem ocorrendo, "por baixo dos panos". A China, com suas pretensões imperialistas, tem desenvolvido uma agressiva política em busca de fontes de matérias-primas, buscando, assim, desbancar o USA, a Europa e o Japão. Sua estratégia, entretanto, não traz nada de novo: financiar projetos de construção e modernização de infra-estrutura rodoferroviária e portuária, para o escoamento das mercadorias de seu interesse. Daí sua briga pela saída para o Pacífico. Flávio: Nessa briga toda, nenhum dos governadores da Amazônia se posicionou contra esses interesses de dominação. O Acre está calado. Está saindo tudo de graça por causa da Lei Kandir. Os minérios saem todos de graça. O João Paulo Capobiani era o diretor da Diretoria de Florestas, do Ibama. Ele foi denunciado há pouco... A idéia dele é que as empresas que desmatam, no Acre, adquiram as Florestas Nacionais. As Florestas são 50 mil, 100 mil ha. Há Florestas do município, do Estado e da União e nos três níveis se pode alugá-las, além do que eles podem criar florestas. Fausto: Também Flávio, você está querendo demais. Estes governadores foram eleitos a partir de articulações com o latifúndio de velho e novo tipo, com o capitalismo burocrático e com o imperialismo. Na verdade, os governadores da região estão lá para garantir esta dominação. O caso do Acre é talvez o mais escrachado, abra o site do Cebraspo [http://www.cebraspo.com.br/] e veja o trabalho da pesquisadora Nazira Camely, está tudo lá, a articulação da Marina e dos irmãos Viana com o imperialismo. Jerônimo: É um festival de lobistas o que existe no Brasil. É uma riqueza sem tamanho que eles estão entregando. O "Lulismo" está disputando campeonato com FHC. O FHC entregou a Vale do Rio Doce e o Lulismo entrega a Amazônia. Ele está entregando as florestas. A Marina Silva é a rainha das ONGs. Agora o Greenpeace diz que combate o desmatamento. Não tem um deputado que combata, mas tem o WWF, o Imazon — fala com ironia.
AND: Falando agora um pouco de Rondônia. O Dr. Jerônimo foi governador do estado. Agora estão discutindo a concessão da Floresta de Jamari. Como vocês vêem esse fato?
Jerônimo: Neste momento embargaram a concessão. O General Rondon disse que Rondônia é um conglomerado mineral e é o que está valendo ainda. Você tem a cassiterita, o ferro, tem o garimpo na área Roosevelt, cheia de diamantes, que saem contrabandeados. Flavio: Na verdade, pediram o embargo da concessão da Floresta do Jamari porque o Amorim é contra a divisão das Florestas Nacionais em poucas áreas. O que ele contesta é a forma de divisão.Jerônimo: Em Rondônia a situação é mais grave ainda porque é um projeto da Globo, envolvido com o Cassol. Ele manipula as empreiteiras, todas dele, o agronegócio dele, madeira dele, não tem nada que não seja dele. Rondônia virou uma fazenda dele. O Amorim montou um frigorífico em Jiparaná, ele domina Ariquemes, ele é um tipo que topa tudo. Vejam só, são os desmatadores que fazem campanha para conservar. Eles mesmos não conservam. Os babacas dizem "vamos conservar", mas eles vão desmatando. O Diário da Amazônia sai todo dia e não publica nada. Nada da depredação da Amazônia. A Folha de Rondônia é do Expedito Jr. e do Cassol. O Estadão do Norte é outro porta-voz dos grileiros. Fausto: Essa tática é velha. Mas, o que é mais grave em Rondônia é o banditismo oficial caracterizado pela distribuição do poder entre uma gama de aproveitadores. Eu vejo isso como o maior exemplo do apodrecimento do velho Estado brasileiro e, consequentemente, da urgente necessidade de uma profunda mudança nas estruturas de nossa sociedade. Além disso, temos a disputa dos grupos de poder que pugnam por se apoderar da máquina do Estado. Aí vem a "Operação Arco de Fogo" e o governador madeireiro monta uma campanha na imprensa venal para desviar a atenção da Polícia Federal contra os camponeses pobres. O banditismo oficial atribui suas "qualidades" aos camponeses que são as vítimas maiores da exploração e da opressão praticadas pelos latifundiários incrustados em todas as esferas de poder daquele estado.

O monopólio é a causa da fome no mundo

extraido do site www.anovademocracia.com.br

por: Archibaldo Figueira
Bastou Luiz Inácio anunciar que pretendia fazer do Brasil "a Arábia Saudita do Biocombustível" e informar que os pobres do mundo estão comendo mais, para o imperialismo, representado por Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, pedir um esforço global contra o flagelo da fome, que seguirá em escalada até 2015 devido à alta dos preços dos alimentos.
Responsabilizando os biocombustíveis pela disparada dos preços alimentícios, Zoellick, como Luiz Inácio, finge não saber que apenas 50 transnacionais controlam a produção agrícola mundial, detendo a terra, os cultivos, a industrialização e a comercialização.
Voracidade
A escandalosa alta de preços do arroz, feijão, milho, soja e outras commodities vai matar 100 milhões de pessoas, sendo 10 milhões na América Latina, segundo cálculos da CEPAL, visto que a irracionalidade da chamada "globalização neoliberal" atingiu grau tão elevado, que as leis de mercado funcionam ao contrário do que apregoam os economistas de aluguel: a maior oferta, junto com a menor capacidade de compra, não resulta em queda de preços, mas no contrário.O mito do "livre mercado" produziu concentração e centralização de capitais e recursos em poucas mãos, ou seja, fortaleceram aqueles poucos donos do mundo que intensificam a exploração e impõem os preços que bem entendem para obter o lucro máximo. Na verdade, a "globalização" não intensificou a concorrência, mas facilitou a tomada de controle do mundo por meia dúzia de potências que dão as cartas no FMI e Banco Mundial e OMC. Sem a menor preocupação em alimentar a humanidade, os Monos-pólios condicionam diariamente a vida de todos, criando guerras reais e de mercado, infiltrando-se nos governos e meios de comunicação, concentrando enorme poder de propaganda, comprando políticos e tribunais inteiros, e se apropriando dos mercados, desde a produção até a compra direta do consumidor. Se é assim, em âmbito doméstico, pior ainda no plano internacional, no qual o preço de cada mercadoria internacionalizada é objeto de especulação. Não há mais uma relação direta do preço com o custo de produção, que é apenas uma referência. A manipulação maior dessas empresas sobre a produção nacional e comércio internacional é um instrumento para alcançar seus lucros.A influência desse setor sobre a política econômica da gerência Luiz Inácio é por meio do Banco Central, que monitora as taxas de juros e câmbio. Numerosos especialistas estabelecem uma correlação direta entre o aumento do preço do arroz e outros gêneros e a desvalorização do dólar. Para eles, governos (como o chinês) e os fundos de risco, que representam capitais especulativos, estão aplicando grandes somas de seus dólares, antes que se depreciem, em terras e bolsas de artigos agrícolas, como o arroz.
Supermercados
O bicho-papão dos supermercados é o Wal-Mart, com 4.500 lojas em 14 países e faturamento maior do que o produto interno bruto da Arábia Saudita e da Áustria. Em seguida, vêm Carrefour, Home Depot, Metro e Royal Ahold, segundo pesquisas do Grupo ETC, Oligopoly Inc 2005, que monitora as atividades das corporações globais, especialmente na agricultura, alimentação e farmácia.Maior rede varejista do mundo — tem quase 1,7 milhão de funcionários —, maior companhia ianque, mais poderosa cliente das indústrias de bens de consumo, o Wal-Mart passou de um empório a uma potência cujas vendas alcançam inacreditáveis 300 bilhões de dólares ao ano. Muitos dos grandes movimentos do capitalismo americano — como a recente fusão da Procter & Gamble com a Gillette — foram resultados da enorme pressão exercida pela rede. As prateleiras do Wal-Mart e de todos os outros supermercados do Brasil estão abarrotadas de produtos da Bunge, como as margarinas Delícia, Primor, Soya, Cyclus; os óleos Soya, Primor, Salada e Cyclus; as maioneses Primor e Soya; e azeites Delícia e Andorinha. Muitos desses óleos são transgênicos e, por determinação judicial, deveriam ter um rótulo especial para alertar o consumidor. Nunca respeitaram esse dispositivo legal. A gerência Luíz Inácio prometeu quebrar este monopólio, mas até agora não adotou nenhuma providência.Com a Cargill e a ADM, a Bunge controla 60% da produção de soja no Brasil, para alimentar o gado na Europa. O preço e o comércio das commodities, em geral, são manipulados ainda pela Dreyfus, Syngenta e Monsanto.Para colocar cada vez mais produtos no mercado mundial, esse grupo promove o desmatamento ilegal, inclusive com trabalho escravo, grilagem de terras públicas e violência contra comunidades locais.A especulação desses grupos é responsável pela elevação dos preços dos cereais, principalmente o arroz, artigo que não é utilizado na produção de biocombustíveis e cuja safra atingiu o recorde de 423 milhões de toneladas. Seu preço, entretanto, mais que duplicou em um ano, passando a tonelada de 360 para 760 dólares.
Laticínios
Na área de laticínios, o mercado é manipulado por apenas três: a Nestlé, a Parmalat e a Danone. A Nestlé domina também o setor de processamento de alimentos e vende o dobro ou o triplo dos demais componentes do monopólio: Archer Daniel Midlands, Altria, PepsiCo, Unilever, Tyson Foods, Cargill, Coca-Cola, Mars e Danone. Há décadas a Nestlé é responsabilizada pela desnutrição e morte de crianças de idade tenra, devido à suspensão precoce das campanhas em prejuízo do aleitamento materno, para expandir as vendas dos seus produtos, principalmente o leite em pó, as sopinhas e papinhas que, muitas vezes, contém até alimentos transgênicos.
Há décadas a Nestlé é responsabilizada pela desnutrição e morte de crianças devido à suspensão das campanhas do aleitamento materno, para expandir (suas) vendas principalmente do leite em pó,das sopinhas e papinhas que até contém transgênicos.
Cerca de 46 milhões de crianças frequentam as 170 mil escolas fundamentais mantidas pelo poder público no Brasil. Pelo menos 30% dessas crianças só podem frequentar os bancos escolares porque é servida uma refeição na escola. E a merenda escolar também é campo para toda sorte de corrupção por parte dos monopólios.Recentemente, o Tribunal de Contas de São Paulo descobriu uma fraude na Prefeitura de São Paulo que promoveu uma licitação para a merenda escolar. Examinando o processo, o Tribunal de Contas percebeu que o edital fora preparado para beneficiar a Nestlé-Maggi, corporação transnacional que se comprometia a atender todas as exigências dos nutricionistas, compreendendo 7 kg de carne, 2 kg de cenoura e 3 kg de "outras" hortaliças (por 100 kg de sopa desidratada a ser distribuída). Logo após a contratação, Kassab autorizou a Nestlé-Maggi a mudar a receita da sopa, que passou a ter apenas 0,5 kg de carne, 0,8 kg de cenoura e 1 kg de "outras" hortaliças. O preço do contrato, todavia, permaneceu o mesmo.Constatou-se que a Nutri Plus, empresa terceirizada responsável pelo fornecimento da merenda escolar, oferece um bônus mensal de R$ 40 reais às merendeiras que reduzirem a quantidade do ali-mento dos estudantes das escolas municipais, entregando maçã aos alunos pela metade; misturando pedaços de frango a legumes não previstos no cardápio ou acrescentando bastante água ao molho de tomate para a refeição render mais.Este crime foi denunciado por nove cozinheiros de escolas municipais, que, indignados com a medida, se recusaram a receber o abono. Nem a Câmara Municipal conseguiu instalar uma comissão parlamentar de inquérito para comprovar a fraude.
Sementes e fertilizantes
Entre 2005 e 2007, as 10 maiores indústrias de sementes, que detinham um terço comércio global, passaram a controlar a metade, e a Monsanto, após a compra da empresa mexicana Seminis, passou a controlar 90% da venda, inclusive das transgênicas, seguida pela Dupont, Syngenta, Groupe Limagrain, KWS Ag, Land O'Lakes, Sakata, Bayer Crop Sciences, Taikii, DLF Trifolium e Delta and Pine Land. Em agrotóxicos, as 10 principais concentram 84% das vendas globais e são: Bayer, Syngenta, BASF, Dow, Monsanto, Dupont, Koor, Sumitomo, Nufarm e Arista. Os analistas dizem que, com tal nível de concentração, em breve serão apenas três: Bayer, Syngenta e BASF. No Brasil, as lavouras de soja (33%), de milho (17%), de cana-de-açúcar (15%), café (8%) e algodão herbáceo (5%) são as maiores consumidoras de fertilizantes, respondendo por 78% do consumo nacional. Esse mercado movimenta mundialmente cerca de US$ 60 bilhões anuais. O grupo Bunge, com sede no USA, faturou R$ 18,2 bilhões em 2006 no Brasil. Só a Bunge fertilizantes tem aqui 3.000 funcionários e 60 mil clientes.
Criança implora por comidaAo atribuir a escalada mundial dos preços dos alimentos ao aumento de consumo das massas empobrecidas, o Califa do Etanol, Luiz Inácio varreu da memória a pesquisa realizada pelos Correios no último Natal, comprovando que as crianças pediam a Papai Noel uma cesta básica digna do nome, e não os tradicionais brinquedos. O jornal francês Le Figaro analisou a pesquisa, batizada de "Operação Papai Noel", destacando que em Pernambuco, 60% das 11 mil cartas revelavam que as crianças pobres pediam geralmente uma cesta básica, mesmo que suas famílias fossem atingidas por um dos programas caritativos e compensatórios da gerência FMI-PT.Para o jornal francês, as cartas "têm um efeito ainda mais chocante porque as lojas experimentaram a maior explosão de consumo nos últimos 11 anos no Brasil, onde se verifica um dos mais elevados índices de desigualdade do mundo. A Operação Papai Noel demonstra que o programa de subsídios sociais instaurado pelo governo Lula não é suficiente nem para reduzir os desvios estruturais, nem para erradicar a fome.A ESCASSEZ DOS ALIMENTOSAnalisando os custos da alimentação, em 2007, todos os institutos de pesquisa constataram que o preço dos artigos básicos superou de longe o reajuste de 8,57% fixado para o salário mínimo em abril, com aumentos da cesta básica variando de 11,46% em Curitiba, 24,38% em Aracaju e 29,79% em Belo Horizonte. É preciso afirmar que entre os setores mais empobrecidos da população esses índices são consideravelmente ampliados.Os repetidos discursos de todos os integrantes da gerência FMI-PT, estimulando cultivos vinculados à monocultura latifundiária para exportação e destinados à produção de biodiesel, como soja, cana, milho e outros artigos, provocou o abandono da produção de alimentos como o feijão, que registrou um aumento de preço de 200%, em média. O desvio de finalidade de alimentos para os biocombustíveis causou também o aumento dos preços nos supermercados, como o milho em grão (50,7%), e óleos combustíveis (33,27%). A plantação total ocupou em 2007 uma área de 46,4 milhões de hectares, 0,3% maior que a do período anterior. Os produtos que mais apresentaram incremento na produção foram: o trigo com 71,5% (1.597,7 mil toneladas); o milho 1ª e 2ª safra com 3,9% (1.999,3 mil toneladas) e o arroz com 5,5% (625,7 mil toneladas). Porém isto não acompanha as reais necessidades da população. Como consequência, o salário mínimo necessário para suprir as despesas (alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência) de uma família de quatro pessoas seria, em dezembro, de R$ 1.803,11, de acordo com o calculo do Dieese. Isto representa 4,75 vezes o valor do salário mínimo fixado pela gerência Luiz Inácio. O economista Heron do Carmo, da Faculdade de Economia e Administração da USP, explica que o padrão de inflação registrado em 2007 foi mais intenso para os pobres, que, segundo ele, gastam mais da metade do que ganham com comida.Ele diz que foi um padrão diferente do que acontecia em anos anteriores, em que a alta de preços era sentida pelas pessoas com renda maior.
Agora, o domínio da terraCom a intensificação das grandes jogadas no mercado de alimentos e produção de biocombustíveis, bancos e especuladores estrangeiros passaram a comprar maciçamente terras no Brasil, único país a dispor de campos com área e clima favoráveis à expansão da agricultura para atender às exigências das grandes potências. Esse movimento tem provocado alta no preço das propriedades rurais. Entre 2001 e 2007, o valor médio subiu 131% em reais e 219% em dólar.A AIG Capital, fundo de investimentos que já teve participação na Gol Linhas Aéreas, no Frigorífico Mercosul e na Fertilizantes Heringer, está investindo US$ 65 milhões na compra de ações da Calix Agro, subsidiária da Louis Dreyfus Commodities, criada para adquirir terras e plantar no Brasil. A Cargill construiu ilegalmente um porto às margens do Rio Tapajós, em Santarém, no Pará, de onde exporta soja para seu terminal em Liverpool, na Inglaterra. De lá, a soja vai até a produtora Sun Valley, também de propriedade da Cargill que, por sua vez, a utiliza para alimentar frangos para produzir os nuggets, distribuídos para as lanchonetes do Mcdonalds em toda a Europa.