sexta-feira, 9 de maio de 2008

Yahoo pode sair ainda mais caro para a Microsoft


Caso a Microsoft obtenha sucesso em seu esforço por adquirir o Yahoo, terá ainda mais uma conta a pagar. Os acionistas da empresa adquirida certamente terão de ser, e serão, pagos, mas é altamente provável que a Microsoft precise criar um pacote de incentivos financeiros a fim de reter engenheiros e executivos talentosos e impedi-los de procurar outros empregos no Vale do Silício. O programa de retenção de funcionários poderia sair caro, a um custo potencial de bilhões de dólares, se tomarmos por base o que a Microsoft fez ao adquirir outra empresa de tecnologia, em 2007.Um estudo da transação sugere até que ponto os funcionários são recursos vitais em empresas cujo trabalho essencial é gerar idéias, posteriormente transformadas em software e serviços. O custo oculto do "seguro contra fuga" de funcionários pode ser um dos motivos para que a Microsoft venha resistindo a elevar sua oferta, que no momento é de US$ 42 bilhões (equivalente a cerca de R$ 70 bilhões).Em maio passado, a Microsoft adquiriu a Tellme Networks, uma empresa que desenvolve software de reconhecimento de voz usado em centrais de atendimento telefônico e em buscas na Internet via comandos de voz. A Microsoft pagou US$ 800 milhões pela Tellme, uma empresa de capital fechado sediada na Califórnia, mas investiu outros US$ 100 milhões em pacotes de retenção de funcionários, de acordo com duas fontes próximas à Microsoft. Esse dado não havia sido revelado anteriormente.Bonificações em dinheiro, opções de ações e outros incentivos para estimular funcionários a permanecerem na empresa depois de uma tomada de controle são práticas comuns no Vale do Silício, dizem especialistas em capital para empreendimentos e analistas do setor. Esses planos de incentivo, acrescentam, podem se estender mais a fundo nas fileiras da engenharia, o que não se assemelha às práticas de outros setores, nos quais apenas os principais executivos recebem esse tipo de tratamento.Para a Tellme, que tinha 330 funcionários, o dinheiro envolvido equivale a mais de US$ 300 mil por pessoa (cerca de R$ 500 mil). O Yahoo é uma empresa muito maior, com mais de 14 mil funcionários em todo o mundo. Caso a Microsoft adquira o Yahoo, qualquer programa de retenção de funcionários seria mais direcionado e menos amplo do que no caso da Tellme, dizem analistas. Mas mesmo um programa proporcionalmente muito menor poderia acrescentar mais uma despesa considerável à transação, talvez mais US$ 2 bilhões, estimam os analistas."Seria uma despesa adicional significativa, pagável em prazo de alguns anos", disse David Yoffie, professor da Escola de Administração de Empresas da Universidade Harvard. "E a Microsoft sabia disso ao apresentar sua proposta ao Yahoo".Ao adquirir empresas no Vale do Silício, a Microsoft, em especial, pode ter de oferecer incentivos atraentes para reter funcionários. A reputação da empresa continua maculada por seu uso de táticas de pressão contra companhias como Netscape e Sun Microsystems, nos anos 90, o que a envolveram em um longo processo antitruste movido pelo governo federal do qual a companhia saiu derrotada.A reputação provavelmente não procede mais, aponta Mark Anderson, presidente-executivo do Strategic News Service, um boletim de notícias tecnológicas. "Mas, no Vale do Silício, a primeira impressão das pessoas sobre a Microsoft ainda teria de ser superada", ele afirma. "Por isso, creio que ela precise gastar mais em seus pacotes de retenção de funcionários. Poderíamos definir o excedente como o ágio Microsoft".Michael McCue, que era vice-presidente da Netscaoe nos anos 90 e se tornou presidente-executivo da Tellme ao fundar a empresa, diz que a Microsoft mudou. Ele se recusou a discutir o pacote de retenção de funcionários oferecido à sua empresa, mas diz que foi amplo e efetivo, com 95% dos funcionários optando por continuar na empresa depois da aquisição. "A experiência vem sendo excelente", disse. Via New York Times

Prefeito Raimundo Caires acusa Embasa de omissão


A população de Paulo Afonso ganhou novo aliado na disputa da isenção do pagamento da taxa de esgoto, cobrança que a Embasa quer implantar no município. A Prefeitura de Paulo Afonso está buscando soluções para que este acréscimo de 80% nas contas de água do consumidor não aconteça. Em audiência pública realizada em Salvador, com o Ministério Público do Estado, o prefeito Raimundo Caires afirmou que a sua luta é a isenção desse tributo.

“Tudo que vier para prejudicar o povo de Paulo Afonso, eu vou discordar”, disse o prefeito ao analisar sobre a situação proposta pela empresa de saneamento. “A gente quer equacionar todos os problemas com a empresa, o ponto central é a isenção da taxa de esgoto”, falou ele.

Segundo Raimundo Caires, a Embasa recebeu a concessão pública para ser responsável pelo saneamento e água, no governo do ex-prefeito Anilton Bastos. “É um contrato onde só a empresa tem direito. A prefeitura não tem nenhum benefício. A Embasa, desde que recebeu a concessão, não fez um metro de rede coletora. Tudo foi feito pela prefeitura. Era obrigação da Embasa, que tinha a concessão, dada pelo município, mas ela só quis o bônus, que é a água para oferecer a um preço exorbitante, caríssimo”, afirmou o prefeito Raimundo Caires.

A discussão aumentou após a indagação da prefeitura pela destinação de uma verba federal de 60 milhões proveniente do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para a Embasa realizar saneamento em Paulo Afonso. De acordo com o prefeito, o município tem, atualmente, 98% da rede coletora feita pela prefeitura. “Eu estive com assessores e diretores da Embasa e disse que qualquer dimensão que venha para o município, é importante o conhecimento da prefeitura. O que nós queríamos, e até já sanamos este problema, era saber onde teríamos esta intervenção, se iria chocar ou não com as áreas que nós fazemos intervenção, se coincide com os pontos de ação da prefeitura”, esclareceu Raimundo Caires.

O prefeito ressaltou a omissão da Embasa, “em tempo algum a Embasa fez rede coletora, só o município. Ainda foi levantada alguma parte da nossa rede coletora não estar no seu padrão. Além da empresa não fazer o que deveria se feito, foi omissa por permitir que a prefeitura, em várias gestões, fizesse alguma rede coletora que não estivesse no padrão. Isso é dinheiro público, e aí cabe uma ação do Ministério Público. Nós queremos que ela nos ressarcie desses anos todos, que ela não fez nenhuma rede”.

Em discussões com a Embasa, o prefeito propôs: “devolva a concessão para o município, que o município assina que não cobra nenhuma taxa de esgoto, ou a gente passa tudo para vocês, com o compromisso de vocês não cobrarem nenhuma taxa de esgoto”.
“Nós vamos fazer uma campanha aqui no município, vamos partir na frente desta luta, pela isenção da taxa de esgoto, que é um absurdo”, finalizou o prefeito.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Secos e Molhados - Secos e Molhados - 1973


Grupo vocal e instrumental formado no início dos anos 70 em São Paulo, gravou o primeiro disco em 1973, causando polêmica por sua atitude ousada e performática. O disco vendeu cerca de 300 mil cópias, um verdadeiro feito na época para uma banda até então desconhecida. No ano seguinte o Secos & Molhados saiu em turnê pelo Brasil, lotando teatros e até mesmo o ginásio do Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. Em 1974, eles gravaram mais um LP, mas Ney Matogrosso desligou-se da banda e partiu para a carreira solo, assim como João Ricardo. O grupo voltou a se reunir outras vezes, com formações diferentes. Os grandes sucessos da fase inicial foram "Sangue Latino" (João Ricardo/ Paulo Mendonça), "O Vira" (J. Ricardo/ Luli), "Rosa de Hiroshima" (Gerson Conrad/ Vinicius de Moraes), "Flores Astrais" (J. Ricardo/ J. Apolinário) e "Tercer Mundo" (J. Ricardo/ Julio Cortázar). O grupo era composto por: Ney Matogrosso, voz; João Ricardo, voz, violões, harmônica de boca; Gerson Conrad, voz e violões; Wander Tosh, guitarra e violão; Lili Rodrigues, voz; João Ascensão, baixo; Gel Fernandes, bateria; Lazy, teclados e Rubão, percussão. Download: Secos e Molhados - Secos e Molhados - 1973

Mutantes - Mutantes - 1968

Este disco teve uma produção de Manoel Barenbein, um genio. Primeiro álbum do grupo. É o disco mais tropicalista da banda. Espécie de carta de princípio, reúne em suas 11 faixas um pouco das propostas e possibilidades futuras. Com arranjos de Rogério Duprat e as participações de Jorge Ben no violão e voz e do baterista Dirceu. Duprat faz um mixer das propostas "fundamentalistas" da Tropicália - Panis et Circenses, Bat macumba e Baby - com a irreverência anárquica dos Mutantes. Fazendo de todos os absurdos, todas as incosequências: possibilidades - confrontar o principal parceiro de Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira (Adeus Maria Fulô) com a existencialista-pop Françoise Hardy (Le Premier Bonheur du Jour); misturar Jorge Ben (A Minha Menina), com uma versão (não creditada, do pai César Dias Baptista) de uma semi-conhecida canção do grupo norte-americano The Mamas and The Papas (Tempo no Tempo / Once There was a Time i Thought) a uivos pré-históricos em homenagem a Gengis Khan (Ave Gengis Khan) e uma paródia kafkaniana (Senhor F). Completam o álbum: O Relógio e Trem Fantasma. (Marcelo Dolabela - bhz out/nov 1999). Download: Mutantes - Mutantes - 1968

Caetano Veloso -- Transa - 1972

Exilado em Londres desde 1969, Caetano Veloso obteveo permissão para ficar um mês no Brasil em janeiro de 1971 para assistir à missa comemorativa dos 40 anos de casamento de seus pais. No Rio de Janeiro, o cantor foi interrogado por militares que pediram para que fizesse uma canção elogiando a rodovia Transamazônica - na época em construção. Caetano não aceitou a "proposta", mas de volta a Londres, gravou no final do ano o LP com o nome de "Transa", lançado em território brasileiro em janeiro de 1972, quando o cantor voltou definitivamente ao país.
Sobre o álbum, Caetano declarou em uma entrevista ao Jornal do Brasil: "Chamei os amigos para gravar em Londres. Os arranjos são de Jards Macalé, Tutti Moreno, Moacyr Albuquerque e Áureo de Sousa. Não saíram na ficha técnica e eu tive a maior briga com meu amigo que fez a capa. Como é que bota essa bobagem de dobra e desdobra, parece que vai fazer um abajur com a capa, e não bota a ficha técnica? Era importantíssimo. Era um trabalho orgânico, espontâneo, e meu primeiro disco de grupo, gravado quase como um show ao vivo".
Na mesma entrevista: "Foi Transa que que me deu coragem de fazer os trabalhos com A Outra Banda da Terra. Tem a Nine out of Ten, a minha melhor música em inglês. É histórica. É a primeira vez que uma música brasileira toca alguns compassos de reggae, uma vinheta no começo e no fim. Muito antes de John Lennon, de Mick Jagger e até de Paul McCartney. Eu e o Péricles Cavalcanti descobrimos o reggae em Portobelo Road e me encantou logo. Bob Markey e The Wailers foram a melhor coisa dos anos 70. Gosto do disco todo. Como gravação, a melhor é Triste Bahia. Tem o Mora na Filosofia, que é um grande samba, uma grande letra e o Monsueto é um gênio. Me orgulho imensamente deste som que a gente tirou em grupo".
Esse álbum foi eleito em uma lista da versão brasilieira da revista Rolling Stone como o oitavo melhor disco brasileiro de todos os tempos.
Download: Caetano Veloso -- Transa - 1972

Gente da Antiga - Pixinguinha, Clementina de Jesus, Joao da Baiana - 1968

Falar sobre Gente da antiga não é fácil. De início, a foto da capa já intimida. As feições de Clementina de Jesus, Pixinguinha e João da Bahiana parecem transmitir a quem olha o sentimento de alegria e descontração que imperava naquele ambiente de gravações, onde não houve praticamente nenhum ensaio
Gente da Antiga foi gravado em três dias, entre 10 e 17 de janeiro de 1968. Para acompanhar João da Baiana (pandeiro e voz), Clementina de Jesus (voz), Hermínio chamou Dino e Meira (violões), Canhoto (cavaquinho), Pixinguinha (sax-tenor), Marçal, Gilberto Luna e Jorge Arena (percussão), mais Nelsinho (trombone), Manuelzinho (flauta) e o coro formado por Nelson Sargento, Jairzinho da Portela, Pedro Rodrigues, Copacabana, Jair Avellar, Anescar e Nelsinho.As faixas são:
1) Oito Batutas: instrumental assinado por Pixinguinha e Benedito Lacerda, na verdade se trata de criação original do primeiro. Benedito era o caso comum em que o co-autor entrava na parceria porque fazia o papel do divulgador. O nome da faixa remete ao tempo do cinema mudo, em 1919, quando Pixinguinha tocava em um bloco carnavalesco, chamado Grupo de Caxangá. Quando o conjunto foi recrutado para chamar a freguesia para as fitas no Palais, os caxangás foram reduzidos a um octeto. O dono do cinema, Isaac Frankel, os batizou de Os Oito Batutas. Contratados para concorrer com Ernesto Nazareth, do Odeon, acabaram transformando o velho pianeiro em fã. O choro apresentado mostra-se integrado ao estilo de época, em que os sambas gravados ainda sofriam influência de maxixes, toadas sertanejas, corta-jacas e lundus.
2) Yaô: o compositor Gastão Viana tinha o hábito de utilizar palavras africanas em suas letras. Nesta parceria com Pixinguinha, um típico lundu (transformado em samba) aparecem, por exemplo, expressões como akicó (galo), jacutá (casa), pelu adié (peru que rodopia entre as galinhas) e Yaô (mulher filha de santo). O compositor, que antes havia gravado "Yaô" originalmente em 1950, num dos raríssimos momentos em que Pixinguinha cantou em disco, deixou o vocal desta vez para o amigo João da Baiana.
3) Roxá: tema folclórico, um cateretê, cantado por Clementina de Jesus: "roxá, vamo vadiá minha nega! Roxá vamo vadiá minha nega!", o coro repete e bate palmas. "Roxá" é típico exemplo de samba de partido alto, típica das rodas de pernada do começo do século passado, onde o cantor principal entoava o tema principal, e os demais integrantes da roda improvisavam e respondiam.
4) A Tua Sina: outra canção folclórica, entoada por Clementina: "mulher/ a tua sina/ é viver/ no mei de vagabundo/ Não sei por que/ Você nasceu assim/ A tua vida/ É a desgraça do mundo". Detalhe para o solo de sax de Pixinguinha.
5) Elizete no Chorinho: instrumental, um belo dueto de flauta e saxofone, entre Manoelzinho e Pixinguinha.
6) Quê, Quê, Quê, Querê, Quê: composto por João da Baiana, a data da criação deste corimá se perde no tempo em que o batuque ainda guardava raízes fortemente religiosas, e o sincretismo da linguagem nagô com mitos religiosos africanos e cristãos. Para tanto, basta observar a saudação inicial, onde João diz: "louvado seja meu Senhor Jesus Cristo", e o coro responde "Para sempre será louvado", seguido de:
- Viva gente de linha de Angola - viva!- Viva gente de linha de Nagô - viva!- Viva gente de linha de Ijexá - viva!
7) Mironga de Moça Branca: outro corimá, cantado em nagô, desta vez interpretado por Clementina, com a participação de João. "Mironga", ao contrário do que se diz em expressão corrente, vem do Quimbundo e significa: "mistério" ou "segredo".
8) Cabide de Molambo: uma das mais notáveis criações de João da Baiana, foi composto na década de 10 e concluída em 1917. Só seria gravado porém 1932, por Patrício Teixeira e Orquestra Copacabana. É designado pelo autor como um samba tradicional. Tanto o título quanto a letra (dessa vez, cantada em português) são inspirados em um malandro que, em idade provecta, já era uma lenda urbana, cujo nome era desconhecido, e todos o chamavam de "Cabide de Molambo", dado a sua mania de disfarçar elegantemente a sua condição de andrajo: "Meu Deus eu ando/ com o sapato furado/ tenho a mania/ de andar engravatado/ a minha cama/ é um pedaço de esteira/ é uma lata velha/ que me serve de cadeira". Consta que ele era quase poeta, alfabetizado, mas vivia dependendo de amigos para sobreviver. O jovem João da Baiana o conheceu na tendinha do Tinoco (citada na letra), na Gamboa. A ancestralidade da música pode ser observada nos versos, como "a gravata foi achada na Ilha da Sapucaia", ou "as botina foi dum véio/ da revolta de Canudo".
9) Batuque na Cozinha: outro samba de João da Baiana, desta vez do tempo em que seus avós tinham uma quitanda de artigos religiosos no Largo do Sé - justamente do tempo em que samba ainda se fazia "na cidade", como o autor ressaltou, ou seja, antes da população negra ser mandada para o morro, no começo do século XX. "Batuque na cozinha/ sinhô não qué/ por causa do batuque/ eu queimei meu pé".
10) Aí, seu Pinguça: instrumental de Pixinguinha, entremeado pelo refrão cantado pelo conjunto de coro, o tema que dá nome à canção.
11) Fala Baixinho: outro tema instrumental de Pixinguinha, em que Hermínio Bello de Carvalho pôs versos. A música concorreu em festivais. No álbum, ela aparece apenas em forma de choro. O estilo dessa canção lembra uma polca do tempo em que as raízes européias foram sendo transformadas graças às peculiaridades locais da música brasileira. Essa relação era muito comum na virada do século XIX para o XX, quando faziam sucesso grandes chorões, como Pedro Galdino e Paulino Sacramento, entre outros.
12) Estácio, Mangueira: Clementina de Jesus encerra o disco com esse samba tradicional. Talvez toda a inefável personalidade e talento da rainha Quelé se encerre em sua interpretação, e explica o motivo pela qual a cantora conquistou, em pouco tempo, tanto crítica quanto público - com exceção de sua ex-patroa, que dizia que a voz dela parecia "miado de gato". Miado que era a quintessência do folclore e o amálgama do batuque dos terreiros com o samba urbano. Sobre Clementina, disse Paulinho da Viola, certa vez: "Ouvi-la cantando, sentada, com o seu vestido de renda, era algo absolutamente fascinante, difícil de transmitir, de traduzir em palavras".
Download: Gente da Antiga - Pixinguinha, Clementina de Jesus, Joao da Baiana - 1968

A Comunidade Samba da Vela - 2005

Como quem não quer nada, numa segunda-feira de julho de 2000, quatro jovens compositores de Santo Amaro, periferia de São Paulo, formaram uma pequena roda e cantaram seus próprios sambas até o amanhecer. O local escolhido por José Alfredo Gonçalves Miranda (Paqüera), Maurício de Oliveira, Magno Souza e José da Cruz, o "Chapinha", foi o bar Ziriguidum, de propriedade deste último, que se encontrava fechado no dia. Nascia ali o Samba da Vela, hoje uma referência nacional do samba.
Reduto de sambistas que desde 2000 revela novos artistas e compositores. O ritual inicia-se quando uma vela é acesa no centro da roda, onde os sambas inéditos são apresentados até que ela se apague. O CD, gravado ao vivo com participações de 120 integrantes da comunidade, Quinteto em Branco e Preto, Seu Nenê e Velha Guarda da Nenê de Vila Matilde e Camisa Verde e Branco, Oswaldinho da Cuíca, Oswaldinho do Acordeon...
"Trabalhamos com música há mais de 20 anos. Naquele dia, nos reunimos para bater um papo, conversar a respeito de samba. Começamos às oito horas da noite e terminamos às quatro horas da manhã. Combinamos de nos reunir na semana seguinte, com a idéia de cantar sambas clássicos e algumas de nossas composições. O negócio ficou tão bom, que de novo entrou madrugada adentro", relembra Paqüera.Ficha Técnica:Produtor executivo: Associação cultural Comunidade Sto. AmaroDireção geral: Magnu SouzáArranjos e regência: Maurilio de OliveiraCoordenação geral: Chapinha e PaqüeraAssistente de produção: Alexandre CamurçaTécnico de gravação (ao vivo): Alexandre SobralAuxiliares técnico: Cacá Akamine, Pedro e XandeTécnico de gravação, edição e mixagem: Beto MendonçaMasterização: Beto MendonçaRevisão: Roberta Cunha ValenteFotos: Carolina Andrade, José Eduardo da Silva e Samuel LavelbergProjeto gráfico: André Hosoi e Fabiana QueiroloRepertório: Fundadores do Samba da VelaCoro geral em todas as faixas: Povo da vela - 120 pessoasMúsicos - Comunidade Samba da Vela